
Quando procuro por mim, não existo.
Apenas resisto aos assassinos
que em mim habítam.
Seres mórbidos e apáticos
que me matam e me suícidam.
Silenciando minha liberdade de amar,
abortam o sentimento que eudeveria
viver e não poetar.
Poêmas apenas, efêmeros e amargos
que não aliviam nem amenizam
o peso do fardo que não aguento carregar.
E assim sou, uma rachadura
que nem une nem separa,
que só repara pelo buraco da fechadura
essas pobres criaturas se apossarem
do que deveria ser um Ser pleno,
que em plena insenssatez
imagina lucidez e escreve a esmo,
a procura do utópico equilíbrio
entre o amor e o ódio
que sente por sí mesmo.

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