quinta-feira, 3 de dezembro de 2009



O Poeta está com sono
De repente quer dormir
Dormir um sono sem sonho
Sonhando apenas em dormir.

Se acordar, que seja pra vida
Se viver, que seja pra sempre
Se adormecer, que seja a mente
Se morrer, que seja de ''Repente''.

Repentista ou poeta
Prefiro dormir de dia
Avise que só vou acordar
se for pra deitar e fazer poesia.

 
As paredes pintadas com as sombras da luminária que eu fiz pra você.
O cheiro do incenso caro, do vinho barato e do cigarro que eu comprei pra você.
Você cozinha pra mim, se veste pra mim e eu ascendo o fogo da panela,
Dou comida pro gato e ascendo um cigarro.
Você me fala da TV, liga pra sua mãe e eu fecho o botão da sua blusa.
Eu troco o disco riscado, abro um botão da minha camisa e te passo a pimenta.
A musica toca, você me chama de leãozinho e passa a mão na minha juba.
Eu ligo pro carlos, você quebra uma taça e diz que a culpa é minha.
Você se corta, o Carlos não atende e eu detesto sangue.
Você me chama de fraco, eu recolho os cacos e a comida esta queimando.
Você vai ao banheiro e reclama do calor.
Eu procuro o lixeiro, apago o fogo e abro as janelas.
Sentamos à mesa e a comida cheira a queimado.
Você apenas belisca e acha que nunca vai aprender a cozinhar.
Eu me afogo no vinho e como tudo por causa do amor.

A solidão calçada em tamancos de pau
A fazer sarau de poesias ao meu redor.
Uma trouxa de roupas sujas
Esperando o banho de suor do meu emprego.

As vezes adormeço ali na encosta
E é quando o abismo do medo desaba sobre mim e
Sofia na calada da noite, chama meu homem pra deitar com ela
E ouvir o sexo sombrio e doloroso dos gatos
Que saltam sobre o meu telhado.





Me sinto tão
Me sinto quase
Me sinto tanto
Me sinto só
Me sinto cheio
Me sinto falta
Me sinto muito
Me sinto pena

Me sinto assim
Me sinto assado
Me sinto atravessado.

Alguém me rasgue
Alguém me corte
Alguém me mate
Alguém me acorde.

Preciso alimentar o porco imundo que sou eu.
Fazer surgir da lama um lindo ser

E devorá-lo
E digeri-lo
E liberta-lo.

Insônia, companhia de muitos anos.
Raia o dia e minhas pálpebras permanecem acesas.
Tenho me alimentado mal nos últimos dias
E meu corpo não da um sinal que pareça fraqueza.
A ansiedade é quem me assola
E uma ponta de loucura me arranha a cabeça.
Desejo e medo me batem à porta
E no peito, um anseio e a solidão.
Saudade também resolve dar as caras,
Saudade de mim mesmo, uma saudade nata.

Meu quarto, os pássaros, os carros, o mundo a minha volta...
E eu, não me encontro nem nestas palavras.
Estou em algum lugar dentro de mim
Construindo a embarcação para fugir desta ilha.

Preciso ver, saber, pegar nas mãos
E de novo reviver pra crer.
Deitar no chão ou no colchão.

Sentir, cuspir, despir...
Me despir do medo de viver
Do medo de ser ou não ser,
Preciso reviver tão quão sentir.

Acreditar, esbanjar, não me saciar.
Saciar-me seria não querer parar
Quando alguém me para.

Por não saber o que estou cansado de rever,
Por não encontrar o sentido do que vou dizer,
Por não conseguir entender o que escrevo aqui.

Contudo não vou parar de beber nem de fuder.
Vou gritar, berrar, agredir
E depois vomitar em você
Aquilo que se nega a ver
Mesmo que seja em mim.



Minha lágrima é o que tenho de mais puro.
Tenho feito tão mal a mim mesmo.
Um novelo todo embaraçado lançado a mil gatos,
Ferido e amarrado a nós cegos
Já quase cego de tanto enxergar.
Já não sei se estou duro ou mole demais.
Tento achar uma solução e a unica que vejo é o amor,
pois até o que tenho de mais puro se nega a aliviar a minha dor.
Então vem. Mesmo que não sejas puro
Quero amar os teus defeitos e não esquecer dos meus.
Alivia o peso que é ter só a mim
Me fecha o buraco cavado por mim
Quero entrar em você assim como você não sai de mim.
Conheço teu cheiro, teu gosto, teu peso...
Filhote de leão.
Você é forte, dentes e músculos e eu tão pequeno,
Me quero na palma da tua mão.
Acariciar tua juba e entrar ''numa''.