sexta-feira, 29 de maio de 2009


No princípio de tudo, a dor

O meu andar desajeitado

Me esgueirando de olhos famintos

A julgarem minha paz

O meu andar e andar

Sempre com a cara pro chão

O meu não olhar pro céu

Que me pesa em cascata

E me reflete só um ser só

Só mais um céu

Um céu cheio de estrelas e tão vazio

O mesmo céu de todo dia

Eu vazio pelas ruas da cidade

As mesmas ruas da mesma cidade

Habitualmente vazia

Arrasto meu olhar vago

Pelas feições vazias e olho pro chão

O mesmo chão de todo dia.

Então eu escrevo e escrevo

Meu castigo por não saber chorar

Meus olhos que ja não são os de outros dias

Beberam minhas lágrimas

Por isso desabo em prantos de palavras

As mesmas palavras dos olhos vagos

No caderno cheio de todos os dias

No quarto trancado

Do mesmo ser solitário

De olhos vazios de todos os dias.

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